A promoção da paridade e da igualdade de género nos cargos de liderança em África marcou, nesta quinta-feira, os debates do II Fórum Internacional da Mulher para a Paz e Democracia, que decorre em Luanda até esta sexta-feira.
O painel subordinado ao tema "25 Anos da Resolução 1325/2000 do Conselho de Segurança da ONU – Promoção da Liderança, Participação e Governação Inclusiva das Mulheres" foi moderado pela ministra da Acção Social, Família e Promoção da Mulher, Ana Paula do Sacramento Neto.
O debate reuniu a embaixadora de Angola na Itália, Josefa Sacko, a ex-subsecretária-geral das Nações Unidas para África nos Departamentos de Assuntos Políticos, de Construção da Paz e Operações de Paz, Bintou Keita, a embaixadora e representante permanente da União Africana junto dos Estados Unidos da América, Constância Gaspar, a encarregada de funções do Gabinete do Enviado Especial do Secretário-Geral das Nações Unidas para a Região dos Grandes Lagos, Maiomouna Cherif Haidara, a co-promotora da Rede de Mulheres Líderes Africanas, Bineta Diop, e a presidente da FemWise-Africa, Justice Effie Owuor. J
osefa Sacko, enalteceu a iniciativa do Ministério da Acção Social, Família e Promoção da Mulher por criar uma plataforma que reúne mulheres líderes para reflectirem sobre os desafios e as soluções para o continente africano.
A diplomata destacou que a paz transformou o panorama sociopolítico de África e constitui um factor essencial para o desenvolvimento.
"Sem paz não teríamos a situação que temos hoje em matéria de segurança alimentar. Sem paz não há estabilidade nem prosperidade", afirmou.
Com um olhar voltado para o futuro, Josefa Sacko defendeu que estes encontros resultem em declarações concretas e compromissos voltados para as novas gerações, com especial atenção à juventude.
Por sua vez, Bintou Keita considerou que a realidade da participação feminina na liderança africana continua a ser "uma história agridoce". Segundo referiu, as mulheres representam apenas cerca de 35 por cento dos cargos de chefia de missões e de direcção adjunta.
A responsável defendeu a continuidade dos esforços para alcançar a paridade e a igualdade de género, sublinhando que as mulheres não devem apenas ser protegidas, mas também participar activamente nos processos de decisão.
"É necessária uma mudança. As mulheres devem ser incluídas nas decisões políticas", defendeu.
Boas práticas
Já Maiomouna Cherif Haidara reconheceu os progressos registados em vários países africanos, destacando o exemplo do Ruanda, onde a implementação de políticas específicas permitiu aumentar significativamente a representação feminina nos órgãos de liderança.
A responsável apelou ao reforço das boas práticas existentes no continente, para que mais mulheres possam integrar os processos de tomada de decisão, actuar como facilitadoras da paz e contribuir para a criação de mecanismos de resolução de conflitos e fortalecimento das comunidades.