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PRESIDENTE DA CEAST DOM IMBAMBA DEFENDE MAIS DIÁLOGO ENTRE INSTITUIÇÕES

  11 Aug 2026

PRESIDENTE DA CEAST DOM IMBAMBA DEFENDE MAIS DIÁLOGO ENTRE INSTITUIÇÕES

O presidente da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST), Dom José Manuel Imbamba, defendeu nesta segunda-feira, em Luanda, a urgência de maiores investimentos no diálogo institucional, na cidadania e na educação cívica, apontando-os como caminhos essenciais para superar a intolerância política e a inimizade social no país.

Após ser recebido em audiência pelo presidente da Assembleia Nacional, Adão de Almeida, o também arcebispo de Saurimo sublinhou à imprensa a necessidade de concertação entre as instituições.

Para o prelado, este alinhamento é fundamental para influenciar positivamente as lideranças políticas e sociais em direcção a uma cultura de pluralismo, convivência pacífica e amizade social.

“O encontro com o presidente da Assembleia Nacional traduziu-se numa reflexão conjunta sobre o ambiente social e político que estamos a viver, muito associado aos últimos acontecimentos no Uíge, que nos preocupam bastante”, esclareceu.

Dom José Manuel Imbamba realçou a importância de continuar a criar plataformas de diálogo que permitam aos cidadãos reflectir e promover uma sã convivência, neutralizando factores que ameacem a paz e a estabilidade social.

Além de agradecer a recente visita de Adão de Almeida a Saurimo, o líder da CEAST frisou que o foco principal da audiência foi encontrar soluções conjuntas: “Procuramos um diálogo entre as duas instituições para ver o que fazer para que o país saia, de facto, dessa situação de intolerância e de falta de diálogo, sobretudo entre militantes dos partidos políticos”, ressaltou.

O líder religioso manifestou forte inquietação face ao panorama actual. “Estamos preocupados com os índices de violência que vão crescendo. Nós não podemos advogar qualquer tipo de violência, intolerância ou situação que ameace a paz ou o convívio social”, alertou.

O presidente da CEAST foi categórico ao afirmar: “A violência não pode ser a bandeira dos 50 anos da nossa Independência”.

Para o arcebispo, o país necessita de dar um salto de qualidade na forma como os cidadãos coabitam. “É aquilo que temos vindo a dizer: é preciso investirmos mais na cidadania e na educação do cidadão. Gastamos muitas energias para formar militantes e não para formar cidadãos. Isto está a dar lugar a este tipo de cultura de intolerância e de inimizade social”, realçou.

Mudança de mentalidade

Questionado sobre as soluções para mitigar as tensões, o arcebispo defendeu a urgência de uma mudança de mentalidade e a criação de novos paradigmas culturais, ideológicos e de convivência.

Segundo o prelado, a CEAST tem insistido, de forma contínua, na formação cívica e na cidadania, assegurando que a instituição manterá a sua forte intervenção social para sensibilizar a consciência dos cidadãos.

“Temos de inverter este quadro e compreender que todos somos angolanos. Embora tenhamos tendências e pensamentos diferentes, todos concorremos para a construção de um único país. A diversidade de ideias deve ser acolhida como um bem, e não como um mal a ser expurgado”, frisou.

Por outro lado, Dom José Manuel Imbamba destacou a recente edição de um livro, fruto do Congresso Nacional de Reconciliação. A obra faz agora parte de uma campanha de distribuição pelas sedes dos partidos políticos, com o objectivo de envolver todas as forças partidárias no urgente processo de transformação da sociedade.

Relativamente à Assembleia Nacional, o arcebispo manifestou a expectativa de que a instituição sirva como o modelo de diálogo que se pretende promover no país. Por estar representada por todas as forças políticas, cabe ao Parlamento demonstrar a qualidade da amizade social, do debate saudável e da própria essência do pluralismo partidário.

“Desejamos que o Parlamento seja um ponto de convergência de ideias que, embora diferentes, concorram para o bem da nação e das pessoas que constroem Angola”, concluiu o arcebispo.

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