Uma reforma acelerada da arquitectura financeira internacional, de modo a torná-la mais representativa, inclusiva e capaz de responder às necessidades dos países em desenvolvimento, particularmente os africanos, foi o que Angola defendeu, nesta segunda-feira, em Nova Iorque, Estados Unidos da América.
A posição foi expressa pelo representante permanente de Angola junto das Nações Unidas, embaixador Francisco José da Cruz, durante o Debate Geral da Segunda Comissão da 81.ª Sessão da Assembleia-Geral das Nações Unidas, dedicado ao tema “Financiamento do desenvolvimento sustentável numa economia global em transformação para acelerar a implementação dos ODS”.
De acordo com uma nota da Missão Permanente de Angola junto das Nações Unidas, na ocasião, o diplomata chamou a atenção para o crescente peso do serviço da dívida sobre as economias africanas, que limita a capacidade dos Estados de canalizarem recursos para sectores essenciais ao desenvolvimento, como a Saúde, Educação e Infra-estruturas.
Neste contexto, reiterou a posição expressa pelo Presidente da República, João Lourenço, durante o Debate Geral de Alto Nível, segundo a qual os países africanos gastam muito mais com os elevados custos do serviço da dívida do que conseguem investir em programas de Saúde, Educação e Infra-estruturas.
Francisco da Cruz apelou a uma participação africana mais forte nos processos de tomada de decisão económica global, a mecanismos mais eficazes e oportunos para o tratamento da dívida e a um maior acesso dos países em desenvolvimento a financiamento acessível, de longo prazo e concepcional. Sublinhou, igualmente, a necessidade de preservar o espaço fiscal dos países em desenvolvimento, permitindo-lhes continuar a investir na implementação dos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável.
O embaixador destacou o Pacto para o Futuro e o Compromisso de Sevilha como importantes instrumentos para reforçar a cooperação multilateral e acelerar a implementação dos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável, sublinhando a necessidade da mobilização, em larga escala, de recursos públicos e privados, do fortalecimento dos bancos multilaterais de desenvolvimento e de respostas mais eficazes aos desafios da dívida soberana.