Algumas empresas espanholas manifestaram interesse em participar nos processos de concessão do Caminho-de-Ferro de Moçâmedes, no Namibe, e em projectos de mobilidade urbana associados ao crescimento das principais cidades angolanas.
Segundo uma nota, o interesse foi manifestado no Encontro Empresarial Espanha–Angola realizado, nesta segunda-feira, em Madrid, à margem da visita do ministro dos Transportes àquele país.
Durante o evento, os dois países reiteraram a parceria no domínio do sector e das infra-estruturas logísticas para acelerar a integração regional da África Austral nas cadeias globais de abastecimento, em particular, no escoamento de minerais críticos para os mercados internacionais.
Abordaram, ainda, a eficiência do Corredor do Lobito, assumido como infra-estrutura crítica para a competitividade regional, não apenas de Angola, mas também da República Democrática do Congo, da Zâmbia, da Tanzânia e de outros países do hinterland da África Austral.
A eficiência deste corredor foi identificada como determinante para assegurar cadeias logísticas de valor seguras, previsíveis e inter-operáveis à escala transfronteiriça.
Na ocasião, a secretária de Estado do Comércio de Espanha, Amparo López Senovilla, sublinhou a importância de uma abordagem integrada ao Corredor do Lobito, incluindo a reabilitação das infra-estruturas ferroviárias no lado da RDC, para maximizar o impacto económico e logístico.
Por sua vez, Ricardo Viegas d’Abreu, reiterou a abertura total do Estado ao sector privado e público espanhol. Considerou, igualmente, o projecto de interligação dos três caminhos-de-ferro nacionais, actualmente em fase de mobilização, como o maior projecto ferroviário desenvolvido em Angola nos últimos 100 anos e uma peça central para a consolidação do país como plataforma logística regional.
De acordo com o referido documento, o alinhamento alcançado em Madrid projecta a relação Angola–Espanha para um novo patamar, assente numa lógica de co-construção de infra-estruturas críticas, transferência de conhecimento e criação de valor regional, com impacto directo no desenvolvimento económico de Angola e na segurança logística dos mercados europeus e internacionais.